Astronomia nossa de cada dia: microgravidade

Ao se estudar o Universo podemos pensar que nada do que está acontecendo lá fora pode interferir nas nossas vidas. Afinal, tudo está tão distante... Esse é um pensamento curioso pois podemos ver um pouquinho de astronomia em todo lugar! Por exemplo, todos os dias de manhã você acorda com seu despertador, não é? E da onde vieram os relógios? O seu celular, televisão e GPS só funcionam por causa de um satélite, que manda as informações de um aparelho a outro. Quem ou o quê colocou o satélite lá? No Universo não há nada que seja mais relevante do que entender a atuação da força da gravidade. Porque todas as coisas caem? Sabemos que o inverno está quase acabando. Por que é que a primavera está chegando mesmo? Todas essas perguntas e muitas outras têm suas respostas na astronomia.
 
Um exemplo muito interessante de como experimentos astronômicos podem ajudar no desenvolvimento de outras áreas são os experimentos em ambientes onde sofremos muito menos a atuação da força da gravidade, como no limite da nossa atmosfera. Essa situação de gravidade atenuada é chamada de microgravidade. Em ambientes de microgravidade podemos observar como a atuação da gravidade interfere no desenvolvimento de plantas, minerais e até das pessoas. A fim de explorar as possibilidades científicas desse tipo de ambiente, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) lançará ainda nesse semestre o VS­40M, um foguete suborbital de órbita parabólica (foguete que se mantém nos limites da atmosfera terrestre, abaixo da órbita do planeta, a um pouco mais de 100 km de altitude). O VS­40M lançará no espaço o Sara (Satélite de Reentrada Atmosférica – lembram do post sobre os nomes dos projetos astronômicos?), um satélite que carrega a bordo uma série de experimentos a serem realizados em ambiente de microgravidade que, de outra forma, seriam impossíveis de serem realizados. Pode parecer estranho que uma experiência que acontece num lugar onde não sobrevivemos possa nos ajudar a desenvolver algo para nossa sobrevivência, não é? Mas saibam que em ambientes de microgravidade é possível fazer, por exemplo, experimentos de crescimento de proteínas e cristais que nos ajudam a desenvolver medicamentos, além de estudar o desenvolvimento de materiais semicondutores, usados em equipamentos eletrônicos comuns, dentre diversos outros experimentos.
 
O lançamento do VS­40M não é o único previsto para esse ano. A IAE também está prevendo o lançamento de outros três foguetes suborbitais, um VS­30/EPL e dois VS­30M. O VS­ 30/EPL tem o diferencial de ser o primeiro foguete brasileiro com combustível líquido e, mais importante, o primeiro com combustível 'limpo', a base de etanol (retirado da cana­de­açúcar) e oxigênio líquidos. Ou seja, um foguete sustentável!
 
Com o lançamento desses veículos, o Brasil se insere entre pequeno grupo de países que domina a tecnologia de fabricação de foguetes suborbitais e o emprego de um combustível 'limpo' traz um grande avanço no desenvolvimento de uma engenharia espacial mais sustentável. De uma tacada só, engenharia, astronomia, medicina, farmácia e biologia foram envolvidas em um único projeto. Nem tudo que se estuda no espaço está fora do nosso alcance, apenas olhe com cuidado e vai perceber!
 
- Carolina Assis, astrônoma do Museu Ciência e Vida.
Para aprender mais sobre astronomia, o Museu Ciência e Vida oferece Sessões de Planetário. Para agendamento escolar, ligue para 2671-7797. Temos sessões abertas ao público também aos sábados e domingo, às 14h e 15h